Em Ribeirão Preto e região, os preços praticados das distribuidoras para os postos já acumulam alta média de 24% para o litro de diesel e 14% para o litro de gasolina; Revendedores relatam dificuldade ainda maior para comprar os dois produtos que seguem racionados desde as refinarias
A guerra no Oriente Médio acaba de completar um mês e a Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto e Região, que reúne 85 revendedores, atualiza o cenário do mercado de combustíveis. A Central de Monitoramento da entidade apurou que, ao longo desse período, o litro de diesel teve um aumento médio acumulado de 24% e o litro de gasolina uma alta média de 14%, nos preços praticados das distribuidoras para os postos.
Segundo Fernando Roca, presidente da ANPRP, relatos de revendedores associados confirmaram que ficou ainda mais difícil adquirir diesel e gasolina, junto às distribuidoras. “Devido à escassez dos dois produtos, as refinarias continuam racionando o fornecimento para as distribuidoras que, por sua vez, seguem a mesma tendência na hora de fornecer aos postos. Para que fique claro: os postos estão recebendo remessas de diesel e gasolina também com limitações e com valores mais caros por parte das distribuidoras”, afirma. “É muito importante destacar que o preço nas bombas segue a proporção dos valores que vêm das distribuidoras”, completa.

Pequeno sinal de melhora
Apesar das dificuldades dos últimos dias, um pequeno sinal de melhora na disponibilidade de diesel para o mercado foi percebido na manhã de hoje (30), nos postos de Ribeirão Preto. Isso se deu muito pelas compras internacionais do produto, feitas pelas distribuidoras, cujas remessas conseguiram desembarcar no Brasil. Vale destacar que o diesel importado chegou com preço bem superior ao fornecido internamente, mas é um balizador para que não haja falta de produto no curto prazo.
Cotação e defasagem
Na última segunda-feira (30), a cotação do barril de petróleo brent no mercado internacional bateu em US$ 116, em forte alta. Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), na mesma data a defasagem entre os preços praticados no Brasil e os do mercado internacional, apresentaram os seguintes patamares:
- Diesel: -72%/R$ 2,64 por litro (principais polos) e -84%/R$ 3,05 por litro (polos da Petrobras);
- Gasolina: -54%/R$ 1,36 por litro (principais polos) e -64%/R$ 1,61 por litro (polos da Petrobras).
De acordo com Roca, “Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado maior será o impacto nos preços dos combustíveis no mundo todo. É por ali que são escoados cerca de 20% do petróleo que abastece o mercado global”, observa.
Reflexos
O óleo diesel abastece 99% da frota nacional de caminhões, inclusive a totalidade da frota que faz o transporte dos combustíveis das refinarias para as distribuidoras e dessas para os postos. A disparada do preço encareceu o frete e o efeito cascata tem sido inevitável. Atingiu, inclusive, a logística da cadeia produtiva de combustíveis.
Em relação ao etanol, cuja procura aumentou nos postos desde que o preço da gasolina disparou com a guerra, o cenário é um pouco melhor até porque, em abril, começa a safra da cana de açúcar 2026. “Com a retomada da produção de etanol e a recomposição dos estoques estratégicos, a tendência é de que tenhamos um alívio no preço do biocombustível para o consumidor final, desde que o custo do frete não suba tanto”, projeta o presidente.
É preciso lembrar que a mesma produção de etanol precisa suprir, ao mesmo tempo, a adição oficial de 30% do produto no litro de gasolina e a demanda dos consumidores nos postos.
Fazer a conta
A Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto e Região orienta o consumidor a ficar muito atento à regra de paridade, ao abastecer. “Se o preço do litro do etanol corresponder a no máximo 70% do preço do litro de gasolina, será mais vantajoso abastecer com etanol”, finaliza Fernando Roca.
Da Redação.
Imagem: Divulgação.






























































































